IASP leva ex-jogador Casagrande para falar sobre drogas a estudantes da Penha

11 de janeiro de 2019

Por Luís Indriunas, da Avocar Comunicação

Num evento surpresa, cerca de 140 alunos da Escola Estadual Barão de Ramalho ouviram as histórias do craque sobre sua dependência química e sobre como conseguiu sair

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O projeto de adoção afetiva da Escola Barão de Ramalho, no bairro da Penha, em São Paulo (SP), pelo Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), encerrou suas atividades de 2018 com evento especial.

Durante todo o ano, os voluntários, coordenados pelo diretor de relações institucionais do IASP, Frederico Prado Lopes, debruçaram-se sobre o tema das drogas, conforme escolha conjunta da diretoria da escola e dos alunos. No último encontro, em novembro, os alunos tiveram uma surpresa: sem aviso prévio, o craque Casagrande esteve na escola para dar seu depoimento pessoal sobre o tema.

Natural da Penha, o corintiano morou próximo da escola e chegou a jogar bola em sua quadra, integrando o time da escola rival, onde ele estudava. Depois que se livrou das drogas, além das suas atividades como comentarista esportivo e musical (ele tem um programa de rádio sobre rock), o ex-jogador tem se dedicado a conscientizar os jovens sobre a questão da dependência química, por isso, assim que soube do convite do IASP para falar na Penha, ele aceitou.

Na conversa mediada por Frederico, o corintiano foi direto e claro para os estudantes presentes. “Eu não vim aqui para dizer que a droga é ruim e diga não às drogas, porque seria hipocrisia da minha parte. Ninguém se vicia em coisas ruins, só se vicia em coisas legais. Só que a droga, ela mente, ela não dá aquilo que te dá inicialmente, depois você acaba ficando dependente”, disse logo no início do bate-papo de cerca de uma hora.

O maior foco de Casagrande foi esclarecer que a dependência química é uma doença. “Muitas vezes o dependente químico acha que não está tendo problemas. Eu sempre achei que estava controlando, mesmo quando estava no fundo do poço.”

O depoimento dele impressionou. O ex-jogador contou que usou vários tipos de substâncias e que chegou a passar dias confinado em casa, consumindo drogas. A mudança aconteceu quando ele foi internado, logo após provocar um acidente. Depois de dias usando drogas continuamente, Casagrande teve alucinações e tentou “fugir” delas saindo com o carro, mas teve um apagão na direção e acabou batendo o automóvel num muro.

Foram, então, seis meses de total isolamento, sem nenhum contato externo, nem mesmo com a família. Casagrande conta que, mesmo depois de recuperado, teve recaídas, mas, após uma última internação voluntária em 2015, não usou mais drogas.

O ex-jogador encerrou sua fala afirmando que é muito importante a troca de informações e experiências para quem quer deixar o vício ou mesmo para evitar começar a usar drogas. “Quero agradecer a todos vocês porque vocês ficaram em silêncio, ouviram a história e se interessaram. E essa atenção que vocês me deram me ajuda muito a continuar a minha vida.” O craque recebeu uma camiseta autografada por todos os alunos presentes. Casagrande também autografou camisas para a escola e para o IASP, além de doar exemplares do livro “Casagrande e seus demônios”, que conta sua luta contra a dependência química.

Sonho realizado

O diretor da Barão de Ramalho, Jerônimo da Silva Barbosa Filho, comemorou o evento, tornado possível com a parceria do IASP. “Foi uma conversa muito bacana e com uma linguagem que combina com os jovens. Eles gostaram muito”.

“A atividade com Casagrande foi um passo importante para que nosso sonho de ajudar esses alunos não seja mais um sonho, mas possa se realizar. O depoimento do Casagrande vai trazer uma luz para essa moçadinha”, atestou Frederico, do IASP.

Dafne Viana, aluna da Barão de Ramalho, aprovou a mensagem deixada pelo craque. “Achei uma iniciativa muita boa, porque as drogas estão crescendo. Acho importante ele alertar as pessoas que tem que pensar bastante antes de começar a usar drogas e que a droga pode afetar bastante qualquer um”.

Luís Indriunas